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Encerramento da II Feira Nacional da Agrobiodiversidade

O último dia da II Feira Nacional de Guardiões da Agrobiodiversidade contou com rodas de diálogo sobre Indicação Geográfica (IG) e Marca Coletiva (MC), Aliança da Sociobiodiversidade, além de minicursos que auxiliam projetos e ações dos guardiões, que relataram ter sido uma programação efetivamente proveitosa.

Segundo o agricultor Sr. Golinha, que tem no seu banco cerca de 600 tipos de sementes, o maior ganho foi obter novos itens. “Conheci pessoas com variedade de sementes que eu não tinha, fizemos a troca de produtos e eu vou levando 15 sementes que ainda não havia conseguido. O empenho da organização valeu a pena”, comemora. Ele é a quarta geração da família que trabalha na preservação da origem destes produtos através do cultivo. A prática teve início com seu bisavô e ele começou a trabalhar na agricultura há 50 anos. “No ano de 67 eu deixei de estudar, para trabalhar na agricultura com meu pai. Na época, ele não queria que fosse assim, mas eu fiz questão. Papai já trazia umas sementes que vinham do avô dele, e desde então, através do meu bisavô, a originalidade destes itens já era preservada. Nunca foi usado nenhum tipo de produto químico e todos os anos eu faço testes de germinação e transgenia, inclusive neste 2018 eu já atestei que todas as sementes estão puras e perfeitas”, se orgulha. Sr. Golinha já passa os ensinamentos aos netos.

A guardiã Israelita Bezerra, da comunidade indígena Sateré Mawé, no Amazonas, levou alguns tipos de artesanato, além de andiroba, copaíba, mirantã e bastão de guaraná. Segundo ela, foi um privilégio poder levar seus produtos para o conhecimento de outros guardiões. “Eu gostei muito de mostrar o nosso trabalho, que é de qualidade, certificado, com todo os itens orgânicos, livre de agrotóxicos, tudo natural. Fui visitar as barracas de outros guardiões e aprendi muito, também. Não imaginava que havia tantas pessoas tentando cultivar nossa cultura de antigamente. Somos pequenos, mas acredito que unindo força nos tornaremos grandes. O que outras tribos não têm, nós damos a eles, assim como eles nos fornecem o que não possuímos. Vamos conseguir comer uma comida saudável”, conta esperançosa. O cultivo teve início com os avós dela e todos os descendentes dão continuidade ao trabalho. Os Sataré Mawé possuem, com exclusividade, o banco genético mundial de um tipo de guaraná, por exemplo.

A expectativa é que em dois anos o evento aconteça mais uma vez, juntamente com uma nova edição do Congresso Brasileiro de Recursos Genéticos. A Feira Nacional dos Guardiões da Agrobiodiversidade fomenta a valorização, reconhecimento e divulgação do trabalho de conservação dos recursos genéticos feito por diversos agricultores espalhados pelo Brasil.

Matéria: Lara Veras - Vogal Comunicação